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MEIA NOITE EM PARIS

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Mais uma dicazinha de cinema! Eu como boa consumidora de filmes do Woody Allen, quase nunca deixo de ver algum, independente do nome ou de história que pouco me atraia. Pois bem, acho que há um ano mais ou menos, fui ver “Você vai conhecer o homem dos seus sonhos” e quase morri de tédio, tudo que eu conseguia pensar era no incrível “Vicky Cristina Barcelona“, que tinha visto pela primeira vez na mesma época. Maas o segredo é não se deixar influenciar.

Quando vi o ator principal do novo longa “Meia Noite em Paris, brochei um cadinho. Até gosto dele, o Owen Wilson, mas sei lá, não esperava. Acabei no cinema vendo o filme em um sábado à tarde. Precisava almoçar, não tinha comida em casa, e a Praça de Alimentação do shopping estava lotada, então fui comer dentro do cinema sem entusiasmo. Me ferrei. Já nos primeiros 10 minutos, como um tapa na cara, o filme mostra sem censura aquelas paisagens arrebatadoras, prédios, monumentos e detalhes de Paris que te fazem querer chorar. Logo logo você vai entendendo o enredo do filme e simplesmente se encanta.

Gil é um romântico incurável daqueles que acha que deveria ter nascido na Paris de 1920, onde a vida era cultura e o cotidiano cheio de relações incríveis com pessoas memoráveis. Ele, escritor de 2011, é roteirista de Hollywood, seu ganha pão. Mas com a esperança de realizar seus sonhos, parte pra Paris onde pretende se inspirar e escrever um grande romance. Inseguro, Gil não consegue mostrar o esboço do livro para ninguém de sua família, especialmente sua noiva, uma americana extremamente fria e com gosto especial pela modernidade e dinheiro. Gil acaba se embebedando uma bela noite que sua mulher sai pra curtir uma festa parisiense, e como num sonho, vai parar em outra festa em plenos anos 20, com todos os seus ídolos literários, musicais e artísticos. Logo, Gil descobre que todo dia à meia noite consegue fazer o passeio, e passa a conviver com a outra época. Vira amigo do escritor Hemingway, dos pintores Pablo Picasso e Salvador Dalí, além de entregar o manuscrito do seu livro à Gertrude Stein. Entre tantos outros personagens.

Sério, vejam! É ótimo!

Por Juliana Dargains

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Dobradinha na sala escura

 

Esse post tá meio defasado, mas enfim, só agora parei para escrever. Há algumas semanas encarei uma sessão dupla de cinema, coisa que não fazia há anos. E sozinha. Aproveitei as férias da família para me jogar na sala escura e peguei uma dobradinha sensacional: Whatever works, do Woody Allen, e O Segredo dos seus olhos, do argentino Juan José Campanella, com o maravilhoso ator Ricardo Darín.

O segredo dos seus olhos, de Campanella

Mesmo com estilos diferentes, os dois longas se casaram muito bem, como goiabada com queijo. Ambos são leves e densos ao mesmo tempo, fazem uma boa mistura entre humor e drama (com proporções bem diferentes, claro), e têm começos que prendem o espectador de cara, embora também diferenciem no formato. A introdução do filme argentino é pura poesia visual, uma mistura de imagens e música que sintetiza a ideia do filme e se repete, mais adiante, para explicar uma história que se desenrola de maneira não linear.

Whatever works, de Allen

Já na película de Allen, o diálogo do personagem Boris, interpretado pelo comediante Larry David, surpreende pela inovação e pelo nonsense. É uma metalinguagem hilária e muito bem construída. Os amigos acham q ele está louco por estar falando sozinho, mas ele retruca que, sim, há pessoas com as quais ele conversa e aponta para os espectadores (nós!),  que de fato estamos lá! Um barato.

Daí pra frente, é o mais puro Woody Allen, um deleite para os fãs. Impagável a primeira tentativa de suicídio de Boris: 

Eu vou morrer! – desce o personagem as escadas de sua cobertura gritando em desespero.

 A mulher tenta acalmá-lo:

 – Calma, vamos para um pronto-socorro.

 Mas ele se explica:

 – Não, eu não vou morrer agora! Vou morrer no fim!

 A constatação o faz pular da janela. Claro que ele não morre, só fica manco – a clássica ironia do destino.

Bem, é aquilo que o próprio Woody Allen diz: “tudo bem, sua vida pode ser maravilhosa, mas ninguém está livre de um belo dia estar andando na rua e um piano cair na sua cabeça”.

O que me intriga é: como não nos desesperamos com a morte? Acredito que exista um mecanismo cerebral que nos faça esquecer de nossa própria finute e nos leve a todos os dias escovar novamente os dentes. Ou, talvez, por escovarmos os dentes todos os dias, esquecemos de nossa própria finute. É aquela velha história, quem veio primeiro? Eu, por graça da rotina, continuo a tocar minha vidinha dia após dia, mas todas as noites, antes de dormir, penso que, não importa o que eu faça ou deixe de fazer, minha apoteose será num pote de sorvete da Kibon.

Por Vanessa Teixeira